Contos da Meia Noite: O Despertar na Floresta

O Despertar na Floresta


Um raio de sol saiu de traz das nuvens e penetrou floresta adentro, escondidos entres as folhas, alguns insetos já começavam a zunir, e o calor tomou conta de meu corpo. Será que tudo aquilo era apenas um sonho? Eu não lembrava de ter dormido, só lembrava de ter sido…dopada. Sim, foi isso, eu fui dopada pela minha mãe outra vez, mais que lugar estranho era aquele?
A visão da copa das árvores era turva e embaçada, forcei a vista, para ter uma visão mais nítida do lugar, tentei andar, mais tropeçava nos próprios pés. Coloquei as mãos em minha cabeça, e tirei várias folhas secas que se encontravam grudadas em meus cabelos castanhos, minha boca estava seca e meus pés doíam.

Desajeitada, voltei a andar pela mata, e as árvores criavam um labirinto natural, uma obra da natureza, enquanto se ouvia as folhas secas se partindo a cada passo que eu dava. Minha cabeça latejava, como se um martelo estivesse pregando um prego, mais eu tentava ignorar e continuar andando; a pior coisa que está perdida, é andar é continuar perdida, pensei; isso não fez sentido algum.

Eu senti medo, pensei em correr, gritar por ajuda, mais também pensei que ninguém me ouviria, ou no máximo algum bicho feroz e com fome, preferi não arriscar. Sem perceber comecei a rezar delirantemente, sem motivo algum, eu nunca havia tido Deus no coração ou coisa parecida, não que eu fosse ateísta, eu só achava que nos tínhamos que ficar longe um do outro, era melhor assim, mais o medo era tanto, que qualquer coisa valia.
Ouvi um sino, como de uma igreja, soava diversas vezes e eu dei um pulo de susto.

Pessoas habitavam aquele lugar horroroso, e melhor, tinha civilização! Corre o mais rápido que pode, seguindo o soar do sino, que não parava de tocar, comecei a ofegar, até que o sino parou, e eu parei junto. Esperei até que ele tocasse novamente, mais aquilo estava demorando a acontecer, então me joguei no chão, cansada de tanto correr. Meu Deus, oque estava acontecendo comigo?
Meu olhar amedrontado fitou o céu, pelo pouco que conseguir ver, estava escurecendo, e isso me desesperou mais ainda. Ouvi passos rápidos e barulhentos atras de mim, fiquei petrificada com aquilo, e comecei a correr novamente, sem nem mesmo olhar para trás para saber oque se passava. Corri, corri e corri, comecei a cansar, mais a coisa que estava atrás de mim não se cansava nunca, até que senti me agarrarem pelos ombros e me lançarem contra o chão, cai inerte.

Virei gritando e batendo naquilo, mais ele me agarrou pelos braços e me prendeu com bastante força, fechei os olhos esperando pela morte.
-Pode abrir os olhos agora, não vou machucar você. – Disse uma voz grave, mais suave.
Abri os olhos azuis lentamente, e pude ver um homem, ou um garoto, um garoto com toques de homem. Ele tinha olhos verdes claros, cabelos pretos jogados sobre o rosto e estava suando. Usava uma blusa azul sem nenhum desenho ou marca, e uma causa jeans preta, não pude ver oque usava nos pés.
-Pode me soltar agora. – Eu disse ofegando.
Ele me soltou lentamente, se certificando de que eu não era uma ameaça, e foi se afastando.
-Qual seu nome? – Indagou.
-Rebecca. – Eu disse apenas.
Ele me fitou por alguns segundos, e olhou para o céu com cara de reprovação.
-Bem, Rebecca, meu nome é Owen e eu sou seu guia turístico hoje.
O olhei torto.
-Brincadeirinha – Disse Owen com um fantasma de um sorriso. – Vamos, já vai escurecer, e não queremos ficar aqui para ver os bichos saírem da toca.
Claro que eu deveria ter dito não, por que não o conheço e blá blá blá, mais pensando na minha situação nesse momento, ter uma companhia para me dar água não seria tão ruim assim, só espero que ele não seja um estuprador ou coisa do tipo.

Fonte: Ana Flávio
Foto: A/D - Arquivo OpenBrasil.org

Contos da Meia Noite - OpenBrasil.org
Página anterior Próxima página