Contos da Meia Noite: Depressão do tempo

Depressão do tempo


No meu quarto escuro uma penumbra do frio entrava por uma brexa na porta, ouvi um som agudo e ensurdecedor, um grito de quem sofria uma dor escruciante, como se fosse morto com parte por parte de seu lindo corpo arrancado com alicate, quando tentei sair de meu quarto para ver, tinha uma escuridão, fui andando, passo por passo o som ia ficando mais horrivel, quando dobrei no corredor tinha mais outras curvas, fui drobrando naquele corredor maldito e tive a estranha sensação de estava andando em circulos, e quando senti uma leve frieza em meu ombro, olhei para trás e vi uma densa nevoa se formando, ela foi tomando forma e quando chegou em mim vi a escuridão sombria.

Quando percebi estava na minha cama novamente, quando sai, vi o mesmo corredor, ouvi o mesmo som, e agora estava començando a sentir tontura e cai no chão abafado por enxofre, estava quase morrendo e vi uma sombra vindo em minha direção, não tinha forma, mais me fazia estar quase chorando de medo, me fazia mergulhar em meus piores pesadelos, e no meio de tudo aquilo, acordei novamente, estava no mesmo lugar, tudo acontecera de novo.

Ia ficando pior, e quando notei, estava preso em um loppyng do tempo, e agora, só podia viver na desgraça de minha eterna morte, tortura, solidão de nunca mais poder ver as pessoas que amo, numa eterna noite, e me lembro que noite retrasada ouvi enquanto estava na cama um ediondo choro de bebê, noite seguida senti cutucadas invisiveis e era como se retiracem partes pequenas de meu corpo, como pedacinhos de pele com uma pinça, mais tudo vinha da minha cabeça, e agora estava preso no terror da imortalidade sombria, dolorosa e torturante, e agora estava preso em sonho após sonho, um seguido do outro eternamente, quando passaram 100 mil anos já estava morto por dentro, sem vida, sem nada, um monstro sem alma destruido pelo tempo, dominado por torturas seguidas uma após outro, e naqueles milhares de sonhos seguidos de outro a dor era sempre real.

Fonte: Nilson Mesquita
Foto: A/D - Arquivo OpenBrasil.org

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