Contos da Meia Noite: História de Lobisomem

História de Lobisomem


Na década de 40 a cidade de São Vicente RN, localizada no sertão do Seridó Potiguar foi aterrorizada pelo os ataques do lobisomem.

Houve relatos de pessoas que viram um “cachorro escuro enorme”, que andava ora em duas patas, ora em quatro. Diziam se tratar de um “lobisomem”.

O bicho surgia sempre por volta das 23h, sempre em dia de lua cheia, e como começou a ser frequente a sua aparição, houve um alerta na cidade para ninguém circular à noite pelas ruas na cidade, e estradas de rodagem na parte rural.

Acreditam vocês que até o padre da cidade deu sermão numa missa falando do suposto animal? Sim, e dizia o padre que era coisa do “timonho” e que todos deveriam orar para que o lobisomem não cruzasse nossos caminhos. Sério! Eu mesma estava nessa missa. Lembro que as pessoas se benziam quando se falava do tal lobisomem.

Quando a gente perguntava sobre como ele era, relatavam que ele respirava sempre roncando como um “cachorro grande engasgado”.
As pessoas “imitavam” esse barulho que ele emitia e sempre era o mesmo tipo de som.

A maioria das testemunhas não foi atacada, apenas via o ser ou ouvia o tal ronco e uns passos selvagens. Contavam que ficava roncando "rrru-rrru-rrrru" o tempo todo. Que farejava tudo por perto, comendo coisas que encontrava no chão, na beira do mato. O tal ronco ficava mais intenso às vezes. Por diversas vezes ele visto atacando cachorros nas fazendas e sítios do município.
Outro ponto em comum entre alguns relatos era: primeiro surgia um sentimento de pavor, porque o bicho era medonho e forte. Diz também que ele se alimentava de crianças pagas.

Todos na região estavam com muito medo, naquela época havia muito mato, as casas nas áreas rurais eram isoladas, a maioria sem energia elétrica. O pânico era geral.

O relato que mais deu o que falar, na época, foi o de uns colegas meus da escola (7ª-8ª série), que costumavam jogar futebol, à noite, campinho próximo a casa deles. Esses garotos não abandonaram o hábito do futebol noturno porque realmente não acreditavam, naquelas histórias que circulavam pela cidade.

Eis que numa daquelas noites foram surpreendidos pela aparição do lobisomem de que tanto se falava. Contaram que o bicho horrível estava andando em quatro patas, e, ao perceber que estava sendo visto por eles, parou e ficou de pé, em duas patas, os encarando.
Esses colegas relataram que bateu um horror tão grande neles, que foi um “Deus nos acuda”: separaram-se e saíram correndo em disparada, desesperados, cada um para sua casa. E um deles, que morava um pouco mais distante dali, foi o que mais ficou “traumatizado”, porque teve de correr um bom pedaço sozinho, já que na hora ninguém esperou por ninguém, apenas saíram correndo para fugir daquele bicho. Os garotos ficaram transtornados com o que vira, e antes mesmo de irem para a aula, no dia seguinte, a história deles se espalhou pela cidade.

Lembro que eles tiveram que contar mil vezes a experiência no colégio, pois até a diretora queria saber o que tinham visto. Eu dou garantia a vocês que em tudo dava para perceber que não era história inventada. Tanto que não jogaram futebol nunca mais à noite naquele lugar.

Depois disto só ouve relatos do lobisomem nos sítios e fazendas mais distantes, principalmente nos que ficavam próximos a Serra de Pará Velho. Depois não se falou mais disso e a tudo voltou ao normal. Depois eu me mudei, e não sei dizer se houve “nova onda” de lobisomem na cidade. Os mais velhos ainda contam essa história. Até hoje é um mistério.

Graças a Deus, não tive o desprazer de ver o lobisomem, somente ouvir o ronco é algo terrível, e de gelar seu sangue instantaneamente, jamais quero passar por essa experiência novamente. Deus me livre!!! Que horrooooor!

Não duvidem dessas coisas! Pois elas existem.

O Seridó é uma das mais lindas regiões do nosso país, infelizmente também é recanto de criaturas que não são desse mundo, cuidado.

Fonte: Joana Araújo, para OpenBrasil.org
Foto: A/D - Arquivo OpenBrasil.org

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