Contos da Meia Noite: História de Botija / Como Tirar Uma Botija

História de Botija / Como Tirar Uma Botija


HISTÓRIA

São milhares de histórias de botijas no sertão do Seridó.

Na cidade de Cerro Corá /RN na região do Seridó, onde estive em 1999, ouvi uma historia de botija. Passou-se na Fazenda Tupã, que era propriedade de Sérvulo Pereira, magnata daquela região e dono de minas de ouro, e que hoje pertence a seus descendentes.

Um rapaz que trabalhava lá começou a sonhar com uma “bola de ouro” que estaria enterrada em determinado lugar da casa sede da fazenda. Mas ele não deu crédito ao próprio sonho. Aí ele foi morar em Natal, mas o sonho não parou de persegui-lo até que, no final de 1998, ele foi lá ao local indicado pelo sonho e arrancou a botija.

Um buraco entre a parede e o piso, na parte anterior da casa, foi somente o que encontraram na manhã seguinte. Ouvi a história e fotografei o buraco quando andei por aquelas paragens em 1998.

Conta-se que hoje ele é um homem muito rico.

Mas quem pode afirmar quantas botijas ainda está a esperar o seu descobridor. Um corajoso aventureiro ficar rico da noite para o dia e finalmente libertando o espírito penado de quem a enterrou.

COMO TIRAR UMA BOTIJA

Riquíssimo é o conjunto de superstições e crenças que envolvem o assunto na nossa cultura. Primeiro vem o sonho.

Sonha-se com o tesouro, que muitas vezes é indicado por almas penadas, seres do outro mundo condenados a sofrer nas chamas do Inferno enquanto o ouro escondido em vida não for encontrado.

Às vezes a alma aparece para o indivíduo dando a missão do desenterrar da botija.

Fui criada ouvindo histórias de botija. Aprendi com os mais velhos que para desenterrar uma botija é preciso obedecer a certas regras:

É preciso ir à noite, sozinho, sem falar com ninguém e em silêncio. Se contar a outra pessoa, o tesouro some.

Se outra pessoa for pegar a botija sonhada por alguém, não encontra nada, quando muito, uma panela de carvão em lugar do tão cobiçado ouro.

Sempre rezando o "Pai-Nosso e Ave-Maria" em silêncio, durante toda caminhada até o local e na hora de arrancar a botija.

E é preciso traçar um “sino Salomão” (um signo de Salomão, a estrela de seis pontas) no chão, antes de começar a cavar.

Nunca olhar para os lados nem para trás, isso é sinal de cobiça, e o tesouro desaparece ou vira algo sem valor.

História de que ao cavar o astuto e ambicioso tinha visões macabras, como fogo queimando o corpo, cobras se enroscando nas penas e espíritos penados a mandar que parasse a escavação.

Parte dele deverá se destinar a missas pelo defunto e o resto fica para o herói que, afrontando os perigos da tão arriscada, desenterra o ouro.

Fonte: Rosa Araújo, para OpenBrasil.org
Foto: Arquivo OpenBrasil.org

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