Contos da Meia Noite: A Gruta do Tesouro Macabro

A Gruta do Tesouro Macabro


A história que contarei a seguir é sobre dois amigos de infância, Miguel e José. Os dois vinham da cidade de Florânia RN, em direção a seu sítio no município de Caicó RN onde residiam.

Estava chovendo e relampejando muito e os cavalos já estavam inquietos. Miguel observava uma gruta em meio às árvores e exclamou: - "Veja José, uma gruta seca. Vamos usá-la como abrigo até a chuva passar." José não titubeou e seguiu seu amigo até a tal gruta.

Lá dentro, os dois se abrigaram e acomodaram os cavalos. A caverna era gelada e José sentiu um calafrio que percorreu sua espinha. -"Vamos sair daqui Miguel, esta caverna me dá arrepios." Balbuciou José tremendo de frio e medo. -"Bobagem! Lá fora podemos até morrer naquele temporal. Aqui nós estamos secos e seguros." Retrucou Miguel.

A chuva não dava nem um sinal de cessar. José estava impaciente e Miguel curioso com a caverna. - "Vamos lá para o fundo, estaremos mais seguros lá." Entusiasmou-se Miguel.
- "Estas louco homem, podemos nos perder naquela escuridão." Protestou José.
- "Covarde! Vamos lá, seja homem pelo menos uma vez nessa sua vida." Ameaçou Miguel com um sorriso sarcástico.
Mesmo temendo pela sua própria vida, José segue o amigo até o fundo da caverna. Miguel, indo na frente, acende um fósforo e se surpreende com o que vê. Jogado ao chão, milhares de moedas de ouro e prata e até algumas joias que refletiam a luz do fósforo. Junto delas, um esqueleto humano.

Miguel dá uma gargalhada e grita. - "Estamos ricos José, ou melhor, estou rico José!". Virando-se imediatamente para o amigo e apontando a garrucha diretamente para a testa dele. Miguel dá um sorriso e vê o pavor do amigo que suplica. - "Não Miguel, pelo amor de Deus... nós somos ami...." E um estrondo interrompe a voz de José.

Com um tiro certeiro, Miguel espalha os miolos do amigo no chão... - "He, he, he...agora o ouro é só meu, todo meu." Recolhendo o tesouro e colocando-o num saco, Miguel já vai até pensando no que fazer com o tesouro.

O tempo passa e a chuva também. Com o tesouro devidamente embalado, Miguel sai da caverna sorrindo e gozando do cadáver do amigo. - "Pena que você não poderá se divertir com este dinheiro companheiro." Miguel coloca o saco com o tesouro no lombo do cavalo e ruma para a fazenda.

Chegando lá, ele vai diretamente para sua casa contabilizar o seu achado. Euforicamente, Miguel mal estar podendo conter sua alegria.

No meio da sala, Miguel joga o saco no chão. Ao abri-lo, Miguel depara-se com uma cena inesperada e pavorosa. - "NÃO, não pode ser!!!"
Ao invés do tesouro, ele encontrou o cadáver rígido de seu amigo José.

Miguel voltou à gruta, mas ao invés de tesouro só escutava a voz do amigo José pedindo para não ser morto, - "Não Miguel, pelo amor de Deus... nós somos ami...." .

Miguel se se suicidou na mesma gruta. Dizem que a tal gruta aparece para testar o grau de maldade ou bondade dos homens. Na dúvida nunca vá com um amigo por lá!

Fonte: Antônio Febrônio de Medeiros, para OpenBrasil.org
Foto: Arquivo OpenBrasil.org

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